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Um dia — quem sabe, você vai abrir a porta da sua casa, você vai sair pelas ruas, conhecerá pessoas novas, terá flash-black com a sua ex-namorada, vai pra uma balada no sábado a noite e vai pegar seis de uma vez. Vai voltar pra casa e tudo que vai passar pela sua cabeça era como teria sido diferente o teu dia se ela tivesse ao seu lado naquele exato momento. Provavelmente, ela estaria do outro lado da linha, te fazendo sorrir com besteiras e fazendo seu coração palpitar com cada sorriso amarelo dela. Mas os dias irão passar, aquele pensamento vai ser guardado naquele “porão” que fica logo atrás do seu órgão involuntário. Você vai pegar a chave do seu carro, colocar seu palito mais novo e vai ao cinema com aquela loira de um e oitenta que deixou seu número dentro do seu bolso naquela festinha-na-casa-da-sua-zé-vizinha. Você vai sentar ao lado dela e segurar suas mãos, mas ao observa os seus olhos, verá que eles não brilha como os dela ao ver um filme romântico ao seu lado. vai passar dias, semana, meses, anos talvez.. E sua rotina vai ser a mesma, sem ninguém pra entrelaçar entre suas pernas e pegar no seu cabelo até você pegar no sono. Você vai sentir saudade da risada eufórica dela e de como ela era birrenta. A sua birrenta! Anos passaram e ao abrir o histórico das suas velhas conversas, encontrara o endereço que ela te mandou no intuito de receber uma carta ou algum presente vindo de você, o que na época você não deu importância. Você vai anota-lo em sua agenda, sem saber pra que e nem porque, mas vai anotar. Você vai conhecer uma moça educada, linda e sensual. Vão sair e você vai sorrir.. Depois de tanto tempo, você vai sorrir novamente. Depois de algum tempo a pedirá em namoro achando que foi a melhor decisão que tomou naquele exato momento, mas quando ela pronunciar a palavra “Sim” pra você, não será ela que você vai imaginar naquele lugar. Ao chega em casa a única coisa que vai passar pela sua cabeça, é como não adiantar em nada conhecer moças novas ou sorrir pra algumas, ela sempre vai vim na sua cabeça, mesmo que não queira. Ai você entenderá que ela será eterna, que o tempo.. Ah, esse não ajuda em nada!

Você vai sentir uma vontade avassaladora de querer chorar, mas não vai conseguir, os anos sozinho te fez ficar seco, vazio. Sem nada pra por pra fora. Tudo, tudo que você vai sentir vai ser uma saudade e uma culpa imensa no lugar do seu coração. Você vai pegar seu celular, vai discar o número dela, mas no outro lado da linha só existira um voz avisando que aquele número não existe mais. Você vai pegar o primeiro avião e vai sair atrás dela, você vai sentir uma esperança imensa e imaginará um discurso de meia hora só pra no final dizer que foi ela a única menina que você amou e amará. Mas quando você chegar lá, só existira uma vizinha que vai te da a seguinte informação: “Ela? Bom, ela se mudou tem pouco tempo. Está noiva e provavelmente voltará mês que vem pra pegar o resto das coisas…” Ela vai te da um número pra contato, você vai sentar na porta da casa dela e com toda força que ainda existira naquele momento, você vai ligar… É nessa hora que seu coração dispara ao escutar — “Alô?”, você vai tremer, congelar, parar.. Mas no outro lado da linha, ela vai ri e você vau ouvir uma voz de homem a chamando pra deitar. Depois de anos, lágrimas vão percorrer pelo seu rosto. E então, você vai entender — pela primeira vez, tudo que ela sentiu um dia. Vai doer, seu coração vão rasgar. Mas ai você vai entender, que por mais que alguém ame uma pessoa, a vida não espera pra que a outra a corresponda.

A vida continua moço…
E ela? Bom, ela vai ser única.

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Clara Rangel.   (via ssofuckedup)

(Source: re-mar-amar, via ssofuckedup)

"A recaída de amor acontece como num daqueles pesadelos que se está caindo. De repente você acorda sentado na cama: Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu já estava tão bem há semanas. Volte a dormir, volte a dormir. Você já tinha decidido lembra? Nada a ver com você, chato, bobo, não deu certo. Mas eu preciso saber. Não, não precisa. Pra quê? Vai te machucar. Não! Eu preciso saber. Então levanto da cama. Facebook, a desgraça em formato de parquinho virtual. Nome dele, aparece a foto azulada e ele de perfil. É tão bonito. Mas não há mais nada que eu possa ver. Nos deletamos mutuamente pra evitar justamente esse tipo de inspeção noturna. Mas isso não vai ficar assim. Ligo pra nossa amiga em comum. Ela não atende, afinal, são duas da manhã. Mando mensagem “me manda sua senha do Facebook agora ou vou ficar te ligando até amanhã cedo”. Ela manda a senha e um palavrão. Acesso. Vamos ver. Eu preciso saber. Eu preciso. Então vejo que ele não posta nada há cinco semanas. Fotos, fotos. A única foto nova é o flyer de uma festa que eu fui e ele não estava. Nada. Jogo o nome dele no Google. Aparece uma foto dele alcoolizado dando entrevista em uma festa de mídia. Como é lindo. Tento o Twitter mas ele só escreve piada de político. Tento o Facebook, Twitter e blogs de amigos. Está ficando tarde. Se eu tivesse essa mesma concentração e minuciosidade e empenho e energia para o trabalho estaria rica. Estou retesadamente motivada e atenta. Mas não consegui nenhuma informação e eu ainda preciso saber.
São seis da manhã. Estou cansada. Coloco a música de quando você forçou a porta do quarto e entrou. Black Swan. Não sou boa de inglês como você, mas sei que é a história de algo que já começou fodido porque cresceu demais antes da hora, você que pegue um trem e suma daqui. Que bela música pra começar. Ok, agora estou chorando. Lembrei que eu me sentia tão viva com você me olhando bem sério e bem no fundo dos olhos e machucando meu braço. Sim, é definitivamente uma recaída e eu acabo de decidir que te amo mais que tudo no universo e que amanhã, ou hoje, porque já são sete e meia da manhã, vou resolver isso. Agora preciso dormir só um pouquinho. Volto pra cama. Coração disparado. Não tem posição na cama. O que eu faço? Não tô a fim de ler, não tô a fim de ver TV. Aquelas outras coisas que se faz pra acalmar tô com preguiça agora, minha imaginação está indo toda para traçar um plano para que eu descubra. Descubra o quê? Não sei, mas sei que algo está acontecendo, ou eu não estaria assim. Porque eu sinto quando ele está com alguém, sabe? Eu sinto. Sim! A cartomante!
Ligo pra Zuleide. Você atende hoje? Mas é domingo, Tati! Atende? Só se for por telefone. Tá bom, então joga aí: ele está com alguém? Mas Tati, você quer mesmo saber isso? Quero, mulher. Eu preciso saber. Joga aí: ele está com alguma puta? Tati, eu não posso perguntar isso pras cartas. Pergunta aí: ele tá com alguma piranhuda desgraçada vagabunda vaca dos infernos? Zuleide pede desculpas e desliga. Preciso do Lexapro mas ele acabou há semanas, igual meu amor. E agora, de repente, preciso tanto dos dois novamente. Você acha que ele está com alguém? Não sei, Tati, eu ainda tô dormindo, posso te ligar mais tarde? Você acha que ele está com alguém? E se estiver, Tati, quer ir ao cinema mais tarde? Você acha que ele está com alguém? Putz, sei lá, homem sempre tá comendo alguém né? Você acha que ele está com alguém? Tati, do jeito que ele gostava de você? Claro que não! Chega, chega. Preciso me acalmar. Pra que isso? Se ele estiver com alguém agora, e daí? Terminamos não terminamos? Ele e eu não temos nada a ver, certo? Decidimos que era melhor assim, certo? Eu não tava bem com ele e nem ele comigo, certo? Porque era bom e tal. Aliás, meu Deus, como era bom. Mas não era bom pra ficar junto, certo? Então pronto. Chega. Adulta, adulta. Qual o problema se ele estiver agora, justamente agora, lambendo a virilhazinha de alguma desgraçada? Qual o problema? Ok, eu posso morrer. Eu definitivamente posso morrer. Chega, vou acabar com essa palhaçada agora mesmo.Tomo banho, me visto, pego a bolsa, entro no carro. Considerando que ele não mora em São Paulo, não sei exatamente o que eu pretendo com isso. Mas me faz bem enganar o cérebro e fazer de conta que estou indo atrás da verdade. Na verdade vou só na casa de outro, preciso fazer qualquer coisa que não seja sofrer, mas não consigo. O outro não conhece Black Swan, não ri da história da Zuleide, não me aperta o braço.
Volto pra casa, destruída. Sinto tanto amor dentro de mim que posso explodir e bolhas de corações vermelhas atingiriam o Japão. Quase não consigo respirar. Chega, chega. Ligo pra ele. Ele não atende. Ligo de novo. Ele atende falando baixinho. Você está com alguém? Estou. Desligamos. Pronto, agora eu já sei. Depois de um final de semana inteiro de palpitacões, descargas de adrenalina, músicas, textos, amigos, danças, gritos, sensações, assuntos, choros, dores, vida. Agora eu já sei. O que eu nunca vou saber é porque faço tudo isso comigo só porque tenho tanto pavor do tédio. Era só isso o que eu precisava saber."

Tati Bernardi.   (via ssofuckedup)

(Source: nomeiodoinverno, via ssofuckedup)